A rentabilidade bruta média de um imóvel para arrendamento em Portugal é de 6,2% ao ano em 2026, mas a rentabilidade real (líquida), depois de impostos e custos, fica entre 3% e 5% no arrendamento tradicional. No Alojamento Local, onde é permitido, a bruta sobe para a faixa de 7% a 9%. A diferença entre o número que se vê no anúncio e o que de facto entra no bolso é o ponto que separa um bom investimento de uma decepção, e é isso que este guia mostra com a conta aberta.
Atualizado em julho de 2026 · Por Conexão Europa Imóveis — A ponte entre Brasil e Portugal (+20 anos de experiência)
Índice
- Rentabilidade bruta x líquida: a conta que importa
- A rentabilidade por cidade em 2026
- Exemplo prático: um T2 de €300.000
- Como o crédito muda o retorno sobre o capital
- Arrendamento tradicional x Alojamento Local
- Perguntas frequentes
Rentabilidade bruta x líquida: a conta que importa
Existem dois números de rentabilidade, e confundi-los é o erro mais caro do investidor iniciante.
A rentabilidade bruta é a renda anual dividida pelo preço de compra. É o número que aparece nas manchetes: 6,2% em média nacional no 2º trimestre de 2026. Serve para comparar imóveis rapidamente, mas ignora tudo o que sai do seu bolso depois.
A rentabilidade líquida desconta os custos reais de ser proprietário e senhorio:
| O que se desconta da renda | Peso típico |
|---|---|
| IMI (imposto anual sobre o imóvel) | 0,3% a 0,45% do VPT por ano |
| Condomínio, seguro e manutenção | variável, some sempre |
| IRS sobre a renda | 25% da renda líquida, ou 10% em contrato de renda moderada |
| Períodos sem inquilino (vacância) | reduz a renda efetiva do ano |
Depois de tudo isso, a bruta de 6,2% costuma virar uma líquida de 3% a 5% no arrendamento habitacional tradicional. Não é pouco: é um retorno em euro, com um ativo real que ainda valoriza. Mas é o número honesto, e é sobre ele que se decide.
A rentabilidade por cidade em 2026
Onde comprar muda o retorno de forma significativa. Há um trade-off entre yield alto e segurança do investimento:
| Cidade | Rentabilidade bruta (2026) | Preço mediano (€/m²) | Perfil |
|---|---|---|---|
| Lisboa | 4,3% | €6.124 | Menor yield, maior liquidez e valorização |
| Porto | 4,8% | €4.064 | Equilíbrio entre retorno e procura |
| Braga | 5,3% | €2.260 | Entrada acessível, boa procura |
| Coimbra | 6,4% | €2.543 | Yield alto, mercado universitário |
| Interior (ex.: Bragança, Castelo Branco) | até 8,1% | abaixo de €2.000 | Yield máximo, menor liquidez |
O padrão é claro: onde o imóvel é mais caro, o yield é mais baixo. Lisboa tem a menor rentabilidade bruta do país (4,3%) justamente por ser a praça mais valorizada e procurada. Ainda assim, continua a ser a preferida para investir, seguida de Cascais e da linha costeira Lisboa–Cascais, porque troca alguns pontos de yield por segurança: imóveis que arrendam rápido, baixa vacância e a maior margem de valorização futura.
Dentro de Lisboa, o retorno varia por bairro. Bairros prime e consolidados (Avenidas Novas, Santo António, Estrela, Alvalade, Parque das Nações) rendem 5% a 8% ao ano; bairros em reabilitação e expansão (Marvila, Beato, Alcântara, Arroios, Penha de França) chegam a 8% a 12%, com mais risco e mais valorização potencial.

Rentabilidade bruta do arrendamento por cidade, 2026. Lisboa tem o menor yield e o maior preço por m².
Exemplo prático: um T2 de €300.000

A rentabilidade que importa é a líquida: só se conhece depois de descontar impostos, custos e vacância da renda bruta.
Veja a conta fechada de um apartamento T2 de €300.000 — o nosso ticket de entrada — arrendado por €1.550 por mês (€18.600 por ano), comprado como investimento:
| Item | Cálculo | Valor anual |
|---|---|---|
| Renda bruta | €1.550 × 12 | €18.600 |
| Rentabilidade bruta | €18.600 ÷ €300.000 | 6,2% |
| (−) IMI | 0,35% do VPT | −€900 |
| (−) Condomínio, seguro, manutenção | estimativa | −€2.000 |
| (−) Vacância | ~1 mês sem inquilino | −€1.550 |
| Renda líquida antes de IRS | soma dos descontos | €14.150 |
| (−) IRS sobre a renda | 25% sobre €14.150 | −€3.540 |
| Renda líquida final | o que entra no bolso | €10.610 |
| Rentabilidade líquida | €10.610 ÷ €300.000 | ~3,5% |
Nesse cenário, a bruta de 6,2% vira uma líquida de cerca de 3,5%. Se o mesmo imóvel for arrendado por contrato de habitação permanente de três anos ou mais, dentro do regime de renda moderada, o IRS cai de 25% para 10%, e a renda líquida final sobe para cerca de €12.700, uma rentabilidade líquida perto de 4,2%. O prazo do contrato, sozinho, muda quase um ponto percentual do seu retorno.
E falta somar a valorização. Com os preços a subir 10,2% no último ano, o ganho patrimonial de quem segura o imóvel por cinco anos costuma superar toda a renda líquida do período. É por isso que a rentabilidade de um imóvel se mede em anos, não em meses.
Como o crédito muda o retorno sobre o capital
Até aqui a conta assume compra à vista. Com crédito habitação, o retorno sobre o capital que você efetivamente aplicou muda de patamar.
Suponha o mesmo T2 de €300.000, agora com financiamento de 70% (€210.000) e entrada de 30% (€90.000). Com a Euribor a 6 meses em 2,567% e um spread típico de não-residente, a taxa efetiva fica em torno de 3,8%. A prestação anual do crédito ronda os €11.700. A renda líquida antes do crédito era €12.700 (no cenário de contrato longo): depois de pagar o financiamento, sobram cerca de €1.000 de fluxo de caixa positivo, mas sobre um capital próprio de apenas €90.000, e ainda com o inquilino a amortizar a sua dívida todos os meses.
O crédito, aqui, é uma alavanca: você aplica menos capital próprio, mantém liquidez em euro e amplia o retorno sobre o valor investido. O ponto de atenção é o risco: se a Euribor subir ou o imóvel ficar vazio, a prestação continua. Por isso a alavanca combina melhor com imóveis de baixa vacância, como os de Lisboa. Simule o seu caso no simulador de rentabilidade.
Arrendamento tradicional x Alojamento Local
A estratégia de arrendamento define a faixa de retorno:
- Arrendamento tradicional (longa duração): rentabilidade líquida de 3% a 5%. Renda estável, menos trabalho de gestão, contrato longo com IRS reduzido a 10%. É o caminho de menor risco.
- Alojamento Local (curta duração): rentabilidade bruta de 7% a 9%, com mais receita por noite, mas também mais custos (gestão, limpeza, sazonalidade) e mais exposição regulatória.
⚠️ Atenção regulatória de 2026: em Lisboa, novas licenças de Alojamento Local estão suspensas nas áreas centrais desde novembro de 2024. Ainda é possível investir em AL comprando um imóvel que já tenha licença transferível para o novo dono, mas verifique a freguesia antes de contar com esse retorno. Lembre também que comprar imóvel não dá Golden Visa (a rota imobiliária acabou em outubro de 2023) e que o IFICI / NHR 2.0 não beneficia aposentados.
A escolha entre os dois depende do seu apetite de risco e da sua disponibilidade para gerir. O Conexão Europa Imóveis avalia, para cada imóvel, qual estratégia rende mais no líquido e cuida da gestão do arrendamento de forma transparente, inclusive à distância.
Perguntas frequentes
Qual a rentabilidade de um imóvel em Portugal?
A rentabilidade bruta média do arrendamento é de 6,2% ao ano em 2026. Depois de impostos e custos, a rentabilidade líquida fica entre 3% e 5% no arrendamento tradicional. No Alojamento Local, onde é permitido, a bruta sobe para 7% a 9%. A esse retorno soma-se a valorização do imóvel.
Qual a diferença entre rentabilidade bruta e líquida?
A bruta é a renda anual dividida pelo preço de compra, sem descontar nada. A líquida desconta IMI, condomínio, seguro, manutenção, vacância e o IRS sobre a renda. Uma bruta de 6,2% costuma virar uma líquida de 3% a 5%. É a líquida que mede o retorno real.
Qual cidade tem a maior rentabilidade em Portugal?
No bruto, as cidades do interior lideram (até 8,1%), seguidas de Coimbra (6,4%) e Braga (5,3%). Lisboa tem a menor rentabilidade bruta (4,3%), mas compensa em liquidez, baixa vacância e valorização. Yield alto costuma vir com menos liquidez.
Quanto pago de imposto sobre a renda do imóvel?
A taxa geral de IRS sobre o rendimento de arrendamento é de 25% sobre a renda líquida. Desde o Orçamento de 2026, cai para 10% em contratos de habitação permanente dentro do regime de renda moderada (renda até cerca de €2.300 por mês), com duração de três anos ou mais.
Vale mais a pena arrendamento tradicional ou Alojamento Local?
O tradicional rende de 3% a 5% líquido, com renda estável e menos gestão. O Alojamento Local rende de 7% a 9% bruto, com mais receita e mais custos e risco regulatório. Em Lisboa, novas licenças de AL estão suspensas nas áreas centrais desde novembro de 2024, o que limita essa opção.
O financiamento aumenta a rentabilidade?
Aumenta o retorno sobre o capital próprio. Ao financiar 60% a 70% do imóvel, você aplica menos capital, mantém liquidez em euro e o inquilino ajuda a amortizar a dívida. O risco é que a prestação continua mesmo com o imóvel vazio ou com a Euribor mais alta, então combina melhor com imóveis de baixa vacância.
Quer saber a rentabilidade real do seu imóvel?
A rentabilidade que importa é a líquida, calculada sobre o imóvel certo, no bairro certo, com a estratégia de arrendamento certa. Há mais de 20 anos o Conexão Europa Imóveis é a ponte entre o Brasil e Portugal: faz a curadoria do imóvel, projeta o retorno líquido antes da compra, acompanha o crédito e a documentação, e cuida da gestão do arrendamento de forma transparente, para que o número no papel seja o número que entra no seu bolso.
Conteúdo informativo, atualizado em julho de 2026. Números de mercado e fiscais (rentabilidade, Euribor, IMI, IRS) devem ser confirmados na data da operação.



